15.2.09

As respostas temo-las nós

Há uma razão, entre outras, pela qual gosto de ouvir rádio no carro. Especialmente em percursos curtos. O facto de não sabermos o que está a dar, quem está a falar e saber ao mesmo tempo que não vamos sequer ter tempo para vir a saber.
É apanhar do ar assim, ás vezes desconextualizada, qualquer coisa que se diz e que interpretamos como queremos.
O que retiramos do que ouvimos é apenas o que somos, não há autoridade de quem diz, visto nem sequer sabermos quem diz, as premissas assumimo-las nós por isso o espectro de validade é total. É tão grande ou tão pequeno quanto o que conseguimos nós próprios retirar para lá das frases, apenas frases, que ouvimos.
Isto tudo porque no outro dia, alguém dizia que desde que ao casamento se ligaram essas coisas do amor que simplesmente se acabou com ele. Antigamente o casamento era meramente um contrato, no domínio do racional. Hoje a equação integra não somente a razão mas também a emoção e pois claro está que a coisa não funciona.
Os romanticos não foram feitos para casar.
O locutor, perguntava: então não pode haver amor no casamento?
E foi aí, precisamente aí que após o carro estacionado rodei a chave e perdi o resto. Tempos houve em que me mantinha por minutos, dentro do carro, a tentar seguir o fio da meada, a saciar a curiosidade da lógica inerente, mas já não mais o faço. Prefiro seguir o caminho breve que me leva do estacionamento à porta de casa embuído na descoberta da minha própria lógica.

1 Comments:

Blogger jp said...

Se outrora saciavas a curiosidade e hoje buscas a tua própria lógica, que atitude virá no futuro? Estagnar no pensamento espelha o não crescimento humano.
Abraço

17:11  

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