4.10.06

Merda.

Não consigo crer em tudo o que me está a acontecer e tem acontecido. Como é possivel o mundo que construì em mim, dentro de mim e para mim ruir completamente de um dia para o outro. Porra.

É impenssável que tudo o que ao longo de 29 anos acumulei, vivi, experienciei, assisti, senti, e que foi a base para a construção lenta e progressiva duma personalidade, mais ou menos forte, mais ou menos marcante, mais ou menos estruturada, ás vezes mais outras vezes menos mas uma personalidade, a minha. Em suma, eu próprio. É impenssável que tudo tenha caido na porra de um só dia. Eu que até sempre fui um gajo de nunca ter certezas, de sempre pôr tudo em questão, equacionar, sem dogmas nem estigmas, sem preconceitos, ou pelo menos sempre tentei não os ter, e sempre os vi como limitações.

Mas merda tambem eu criei pilares, formas de funcionar, cimentei algumas crenças, e sempre pensei que a sinceridade e a honestidade, a pureza dos sentimentos e emoções e a sua clara e viva expressão sempre com percepção de que essa pureza, honestidade e sinceridade da sua expressão eram o mais importante e belo dum ser Humano, mesmo que horrendos esses sentires, se expressados de forma pura e com a consciência de que somos todos humanos, expressados com a humildade de sermos infimos, e todos sentimos aqui e ali os mais detestáveis e tambem belos e tambem insignificantes sentimentos e experienciamos vontades e desejos monstros, se mostrados ao outro de coração aberto e à espera apenas do espaço e do tempo para serem recebidos e compreendidos do outro lado, no outro ser, deixavam por e simplesmente de o ser e a forma tomava o lugar do conteúdo, a beleza da expressão tornava-se no expresso, e o eco trazia a percepção do horror e a consciência do detestável. E crescia-se assim, sendo puro, sempre puro.

E acreditava assim em alguma coisa, entre outras, e que agora me parecem ocas, vazias e sem nexo. Meras e insignificantes divagações de um simples mortal idiota.
Vivemos todos na porra de uma selva e não passamos de uns tristes animais.
Somos uma MERDA, todos e sem execpcção, e sinto-me um otário por nunca ter entedido isso.

2 Comments:

Blogger João Filipe Rodrigues said...

A cada segundo fazemos escolhas, é inevitável. Mesmo quem se recusa a tomar qualquer tipo de decisão, está a escolher não decidir, e assim a decidir não escolher.
Pensar nos caminhos alternativos que ficaram para trás é o primeiro passo para a loucura.
Não existem becos sem saída, quanto muito voltas ao ponto de partida. Mas mesmo o ponto de partida já não é o mesmo, porque tu não és o mesmo. Quando viajas e depois voltas a casa, esqueces o que viste, o que passaste? Claro que não! Porque cada situação deixa em nós a indelével marca da experiência.
Uma das minhas frases preferidas diz que "o que não nos mata, só nos torna mais fortes".
Pensa simplesmente que o tempo não cura tudo, como dizem, mas que tem a estranha propriedade de esbater as más memórias e de dar um brilho nostálgico às boas. E acredita que, pior que viver uma má experiência é não viver.

14:52  
Blogger Ana said...

Somos peregrinos nesta terra e não sabemos até quando. Devemos encarar a Vida, não com tristeza, mas com seriedade e esperanças.

09:55  

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